Bolsonaro encerra identificação de ossadas

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ossadas em Perus

A equipe que teve suas atividades suspensas era responsável por identificar vítimas da repressão durante ditadura militar.

Por meio de um decreto o presidente Jair Bolsonaro encerrou o Grupo de Trabalho Perus. Eles eram responsáveis pela identificação dos corpos de desaparecidos políticos encontrados no cemitério de Perus, na zona oeste de São Paulo.

A equipe fazia parte da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos, e desde 2014 identificavam vítimas da repressão durante a ditadura militar.

Ao longo de sua atuação parlamentar, Bolsonaro criticava as buscas por desaparecidos. O ministério responsável apenas respondeu que “está avaliando, estudando e proporá algo dentro dos parâmtros do decreto”.

A comissão que surgiu por lei federal, não pode ser atingida pelo decreto, mas perdeu seus quadros após a divulgação do decreto.

HISTÓRIA

A vala de Perus foi descoberta em 1990. Nos anos 1970, policiais e militares enterraram ali, com nomes falsos, presos políticos assassinados. Suspeita-se que até 40 deles estivessem na vala – seis deles já foram localizados ali e outros sete em sepulturas sem identificação no cemitério.

Depois de passar por legistas da USP e da Unicamp – que foram acusados de descaso na identificação das ossadas -, o trabalho com as 1.047 caixas passou a ser feito por meio de um convênio assinado entre o governo federal e a Prefeitura de São Paulo, que envolve ainda o Centro de Antropologia e Arqueologia Forense (Caaf), da Universidade Federal de São Paulo.

Já foram colhidas 750 amostras ósseas – 500 já foram enviadas para o laboratório da International Commission on Missing Persons (ICMP). Primeiro, em Sarajevo, na Bósnia, e agora, em Haia, na Holanda. Especializado em análise de DNA em ossos degradados, o laboratório da ICMP foi responsável pela identificação de Dimas Casemiro, militante do Movimento Revolucionário Tiradentes (MRT), e do advogado Aluísio Palhano, líder da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR).

Casemiro foi morto a tiros e Palhano sob tortura por homens do Destacamento de Operações de Informações (DOI), do 2º Exército, em 1971, sob o comando do coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra Uma nova remessa de 250 amostras ósseas vai para Haia no começo de maio – a papelada sobre ela já havia sido assinada antes do decreto de Bolsonaro. Falta agora analisar cerca de 30% das caixas, onde foram detectados ossos de mais de um indivíduo misturados. “É preciso prorrogar o trabalho para analisar as ossadas restantes”, disse Eugênia.

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